Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 75 Cleinaldo Simões, jornalista assessor de imprensa Capacitação de jornalistas assessores de imprensa A legião de frustrados em não conseguir futuro nas redações têm impactado a qualidade da prestação de serviços de assessoria de imprensa. É simplório atribuir a situação à má gestão dos veículos de comunicação por causas como “os novos tempos paridos pela internet, mídias sociais ou os recursos da inteligência artificial”. Como simplista é imputar responsabilidades ao sistema de ensino, em que pesem suas falhas. As escolas têm essencialmente falhado em capacitar jovens profissionais, por não prepararem o repórter para sair, olhar, apreender e, então, reportar o que descobriu, como define James Fallows no seu livro seminal Detonando a Notícia. Lá, sinto, prevalece há décadas o modismo que diz: se você quiser ser um “jornalista” de sucesso deve abrir mão de tudo que envolva o fato de ser um “repórter” (conceito também de Fallows) Oras... se as escolas de jornalismo não conseguem formar repórteres por que teriam capacidade de formar o que se classifica como jornalistas assessores de imprensa? O passaralho generalizado após a greve de 1979 espantou muita gente para a comunicação empresarial. O fim gradual da ditadura militar, formalizado em 1986, alterou as formas de relações institucionais do País. Majores, tenentes-capitães e lobistas históricos foram substituídos por relações públicas (que já penavam em terra tupiniquim), escritórios de jornalismo empresarial (estruturado em metodologia por Mario Erbolato) e por oriundos de redações, convidados a aplicar seu conhecimento para desenvolver estratégia de relacionamento com a imprensa. Esforços acadêmicos para desenvolver uma estrutura de ensino de assessoria de imprensa não se mostraram suficientes para o nível de demanda das empresas. Exemplos positivos são exceções, como pude acompanhar ao longo da existência da minha empresa. Assim, em função de contexto e necessidade, até desenvolvi modelo de agência-escola, no qual foquei contratar quem não tivesse experiência e, sobretudo, aqueles que se sentiam excluídos do mercado após experiências frustrantes, traumáticas até. O modelo existiu por pouco mais de dez anos baseado em: quem conseguisse ficar um ano comigo, adquiriria conhecimento para ficar empregado em qualquer lugar por mais cinco; se ficasse três anos, nunca mais ficaria desempregado; se chegasse ao quinto ano, deveria considerar tornar- -se associado e, com mais cinco, sócio. Ninguém atingiu o último estágio. Alguns porque não quiseram. Vários estão no mercado, como prometi. Um caso que destaco foi da diarista de assessoria (ficava sentada numa sala rezando para ser chamada), tímida, sem postura de voz e de texto sofrível, que demonstrava como o sistema não aprimora ninguém. Anos depois deixou a agência de forma tumultuada, abriu seu escritório e ganhou o mundo. Esse modelo esgotou-se e agora só trabalho com associados seniores.
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