Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026

Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 97 Gustavo Diamantino, sócio e diretor de operações da Press à Porter Gestão de Imagem Entre algoritmos e relações: o equilíbrio da comunicação corporativa Poucas transformações têm impactado tanto o mercado de comunicação corporativa quanto o avanço acelerado da inteligência artificial, sobretudo nos últimos dois anos. Ferramentas capazes de gerar textos e imagens, analisar dados e automatizar fluxos de trabalho passaram rapidamente do campo experimental para o cotidiano das agências. Em 2025, esse movimento se consolidou. A tecnologia deixou de ser apenas uma promessa e passou a integrar de forma estruturada o processo de planejamento, produção e análise. Esse avanço trouxe ganhos importantes de eficiência e produtividade, permitindo às equipes dedicar mais tempo ao pensamento estratégico. Ao mesmo tempo, ampliou o acesso a dados e informações que ajudam a orientar decisões e antecipar movimentos do mercado e da opinião pública. Mas essa evolução também deixou mais evidente um ponto central: quanto mais tecnologia incorpora-se ao processo, maior se torna o valor das competências humanas. Comunicação corporativa continua sendo, essencialmente, uma atividade baseada em confiança. A construção de reputação, o relacionamento com jornalistas, influenciadores e stakeholders e a gestão de crises exigem sensibilidade, leitura de contexto e capacidade de mediação. Todos esses são atributos que ainda pertencem ao campo humano. Também ficou claro que as empresas esperam das agências cada vez mais uma atuação estratégica e integrada. Não se trata apenas de gerar visibilidade, mas de ajudar organizações a se posicionarem em temas relevantes, traduzirem sua estratégia em histórias consistentes e fortalecerem sua legitimidade diante de diferentes públicos. Essa é uma realidade que também orienta o trabalho aqui na Press à Porter. Ao longo dos últimos anos temos ampliado o uso de tecnologia em nossos processos sem renunciar a um princípio essencial da comunicação: o relacionamento qualificado com jornalistas, clientes e diferentes públicos de interesse. Nesse cenário, tecnologia e relacionamento não são forças opostas, mas complementares. A inteligência artificial amplia a capacidade analítica e operacional das equipes. Já o capital humano é o que transforma dados em estratégia e comunicação em valor reputacional. O cenário para os próximos anos aponta justamente para esse equilíbrio. As agências que conseguirão se diferenciar não serão necessariamente as que tiverem mais tecnologia, mas aquelas capazes de combinar inteligência artificial com inteligência humana na construção de valor para as empresas.

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